O Ser além da mente

Em algum momento da vida, passamos a questionar quem somos e qual é nossa verdadeira natureza. Para algumas pessoas, essa busca por respostas pode surgir espontaneamente. Para outras, pode ser um acontecimento específico ou ainda uma insatisfação que parece estar sempre presente, como dizendo: “há algo além disso.”

O Ser e a mente

Nós nos enxergamos através da mente, e o que habitualmente chamamos de “eu” está sempre mudando: corpo físico, pensamentos, sensações. Porém, com a prática da auto-observação, da meditação ou da presença, começamos a perceber que somos algo mais sutil — o que pode ser chamado de Consciência, Espírito, Ser. Nossa essência está além das formas físicas e mentais e se expressa através delas.

Transformação interior

Quando nossa percepção muda e descobrimos essa outra dimensão de nós mesmos, ocorre um tipo de transformação. Percebemos que os pensamentos são formas de energia que influenciam o que sentimos e como agimos, mas não determinam quem somos. Podemos escolher acreditar — ou não — numa narrativa que a mente ou alguém esteja contando. Podemos escolher um pensamento que gera uma emoção positiva ou negativa. Ou ainda, podemos escolher entre reagir ou permanecer presentes, inabaláveis. É o nível de identificação com o conteúdo da mente que determina nossas ações e reações, mas é sempre você, a Consciência, por trás de tudo.

Liberdade e paz

Essa mudança de percepção traz liberdade, pois os pensamentos perdem o poder — um poder que havia sido dado por nós mesmos. Agora, a mente passa a desempenhar seu papel original: uma via de transmissão por onde flui a sabedoria que vem do Ser — ou do Espírito. E então, a paz que excede a compreensão intelectual é experimentada.

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Liberação do passado emocional

As memórias de emoções negativas armazenadas no inconsciente, também conhecidas como corpo de dor, podem gerar comportamentos e criar situações que trazem sofrimento para nós e para as pessoas ao nosso redor.

Por causa da tendência humana de perpetuar emoções antigas, quase todo mundo carrega no seu campo energético um acúmulo de antigas dores emocionais, que eu chamo de “corpo de dor”. — Eckhart Tolle

Esse passado emocional, compartilhado ou herdado de nossos ancestrais, pode ter sua energia transformada por meio das práticas espirituais.

A ciência e as emoções do passado

A epigenética estuda como fatores externos, como estilo de vida e ambiente, influenciam a expressão de genes sem alterar diretamente o DNA.

Estudos iniciados na década de 1970, que analisaram o impacto do Holocausto nos filhos de sobreviventes, começaram a mostrar como experiências traumáticas podem afetar profundamente a saúde mental e emocional de gerações futuras.

Como liberar as memórias?

A liberação das memórias negativas do passado pode ocorrer por meio de práticas ensinadas por religiões e filosofias espirituais.

O amor e a fé são princípios essenciais ensinados por Jesus Cristo para uma vida espiritual que transcende os desafios do mundo material. A oração é um meio poderoso de liberar o poder divino para purificação e renovação.

A meditação, ensinada por Buda, dissolve memórias do passado responsáveis por reações inconscientes no presente. A luz da consciência purifica a mente e o corpo.

Os caminhos espirituais originários da Índia, como a ioga da devoção, do conhecimento, do serviço ou do autocontrole, conduzem à realização do Ser — nossa dimensão espiritual — e à purificação mental e emocional.

O Ho’oponopono, sistema havaiano para resolução de problemas, utiliza quatro frases repetidas, além de outras ferramentas, para transmutar memórias subconscientes. Nesse método, a divindade recebe um pedido consciente de purificação e transmuta as memórias, levando a mente ao estado original.

O Dr. Luc Bodin, coautor de O Grande Livro do Ho’oponopono, esclarece a importância da liberação de memórias:

Esse mecanismo explica perfeitamente o funcionamento do Ho’oponopono: o apagamento de uma memória errada traz uma mudança nas suas emoções e pensamentos, o que suscita imediatamente alterações no seu DNA, que, na sequência, vai mudar o ambiente ao seu redor graças à ação que ele exerce na matéria.

Também podemos criar o hábito de praticar a presença. Ao fazer isso, evitamos a renovação do corpo de dor e nos libertamos das influências do passado. Você pode iniciar essa prática de forma simples: feche os olhos e traga a atenção ao seu corpo ou à sua respiração. Apenas observe-se por alguns minutos e relaxe. Ao fazer isso, você reconhece o Ser além das formas e cultiva uma nova percepção de si.

Até o próximo artigo!

A mente fala através do corpo

O Dr. Danny Penman, autor do livro A Arte de Respirar, nos lembra que os estados mentais mais intensos se refletem no corpo na forma de sensações físicas. Cada uma dessas sensações é uma mensagem. Se as ignorarmos ou suprimirmos, elas se tornarão mais insistentes e angustiantes, podendo evoluir para infelicidade e sofrimento.

Mas ele explica que há uma alternativa:

Se ouvir essas mensagens conscientemente, sentindo-as de forma ativa no corpo, algo milagroso pode acontecer. Você vai perceber que elas vêm e vão como as ondas no mar ou a respiração no seu corpo. E em breve elas vão começar a se desmanchar por si sós, deixando para trás uma mente mais calma, feliz e perceptiva.

Podemos ir além na interpretação das mensagens do corpo físico. Lise Bourbeau, autora de Escute seu Corpo, explica que há em nós uma superconsciência, que representa nosso lado divino. Esse guia interior sabe exatamente o caminho que devemos seguir e nos envia mensagens através do corpo:

Eis diferentes mensagens que sua superconsciência pode lhe enviar para avisar que há algo nocivo acontecendo na sua vida: emoções exacerbadas (especialmente medo, culpa e raiva), mal-estar, doenças, falta de energia, variações de peso, acidentes, vícios, consumo excessivo de álcool ou drogas, problemas para dormir, etc.

Percebe os sinais do corpo?

Você pode começar a escutá-lo seguindo os passos abaixo:

  • Silêncio: sente-se por alguns minutos em um local tranquilo, sem interrupções, e feche os olhos.
  • Respiração: inspire naturalmente, sentindo o abdômen expandir; expire de forma lenta e completa, sentindo o abdômen relaxar.
  • Auto-observação: percorra mentalmente o corpo, do topo da cabeça até os pés, observando cada sensação sem tentar alterá-la.
  • Presença: quando a mente divagar, traga o foco de volta à respiração e, em seguida, retome a observação do corpo.
  • Prática diária: repita o exercício todos os dias, mesmo que por poucos minutos.

Até o próximo artigo!

Ego: a boneca de sal

O ego é uma parte da mente que parece ter vida própria. Quando estamos interagindo com outras pessoas – e quando elas interagem conosco –, estamos, quase sempre, lidando com o ego. Por isso, é importante conhecer melhor essa parte da mente humana, muitas vezes responsável pelo sofrimento que nos aflige.

Lise Bourbeau, autora do livro Escute seu Corpo, define o ego da seguinte forma:

Às vezes chamado de “pequeno eu”, o ego é o EU que julgamos ser. Ele se forma a partir da nossa energia mental, isto é, de nossas memórias e principalmente de nossas crenças. Na realidade, o ego é a soma de todas as nossas crenças mentais, sejam elas benéficas para nós ou não.

O ego resiste ao fluxo da vida

Estamos em conflito com o que está acontecendo agora?

O ego também é chamado de mente não observada, pois raramente percebemos sua atuação. Uma forma de reconhecê-lo é observar nossas reações. Se estamos resistindo ao momento presente, isso pode ser um sinal da influência do ego.

O ego se apoia em dramas para garantir sua existência. Ele é o resultado de uma história: uma identidade criada pela mente com base em interpretações do passado, que podem ou não ser coerentes. Quanto mais nos identificamos com as narrativas mentais, mais o ego se fortalece. Seja representando o papel de alguém melhor que os outros ou o papel de vítima, o ego está sempre tentando reforçar sua importância.

A boneca de sal se dissolve

O ego é apenas uma identidade ilusória. Na filosofia espiritual do Oriente, ele é comparado a uma boneca de sal que, em sua busca pela compreensão de si, se dissolve no oceano da consciência universal — o Ser.

O ego só existe enquanto a consciência está identificada com a forma. Por meio da auto-observação e de práticas espirituais, percebemos que não somos, em essência, um corpo, um nome ou uma história — somos aquela dimensão que está consciente de tudo isso.

Essa é a jornada espiritual: a busca pela verdade que dissolve a boneca de sal e revela nossa verdadeira natureza, além da forma.

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Como as reações influenciam nossa vida

Há 2.500 anos, o sábio Buda ensinou que, sempre que reagimos, deixamos marcas na mente que podem influenciar nosso comportamento futuro.

O marimbondo na mente

Imagine o exemplo de uma pessoa que leva uma picada de marimbondo. A dor que ela sente deixa uma marca não apenas no corpo, mas sua reação também deixa uma marca na mente. Da próxima vez que notar o inseto por perto, poderá sentir medo e reagir sob a influência do passado.

As doenças psicossomáticas

As marcas deixadas na mente podem afetar o bem-estar do corpo e levar ao surgimento das chamadas doenças psicossomáticas. Geralmente, observamos mais o corpo e o mundo externo do que a própria mente. Com isso, nem sempre percebemos padrões mentais e emocionais negativos que podem estar causando ou agravando uma doença.

Como ensinava o professor de meditação S.N. Goenka:

Muitas doenças psicossomáticas desaparecem naturalmente quando as tensões mentais são dissolvidas. Se a mente está agitada, propicia o desenvolvimento de doenças físicas. Quando a mente adquire calma e pureza, as doenças desaparecem automaticamente.

Auto-observação e cura

Ao observar nosso próprio mundo interior, de pensamentos e sentimentos, começamos a compreender por que reagimos como reagimos. Além disso, quando nos dedicamos a práticas espirituais como meditação, oração, presença e quietude, permitimos que nosso corpo físico se cure como reflexo da cura mental.

Podemos começar observando:

  • Qual é o nosso estado interior?
  • Quais são nossas reações habituais ao longo do dia?

Ao fazer isso, iniciamos o processo de libertação do sofrimento causado por nossas próprias reações inconscientes.

A oração do silêncio

A oração só pode fazer por você o que ela pode primeiro fazer através dos seus pensamentos e sentimentos. A oração eficaz trabalha de dentro para fora. — Catherine Ponder

Como ensina Catherine Ponder, pastora e autora de As Leis Dinâmicas da Oração, a oração é poderosa porque ativa leis superiores da mente e do espírito. Ao orar, você libera uma força espiritual capaz de romper barreiras mentais que causam confusão ou estagnação. Pensamentos bloqueados e emoções negativas são dissolvidos, permitindo que uma energia mais elevada flua dentro e ao redor de você.

Entre os diversos tipos de oração, destaca-se a oração do silêncio. Nessa prática, você simplesmente aquieta a mente, relaxa o corpo e entra em comunhão com a dimensão espiritual.

A pastora descreve como o silêncio transforma a mente:

No silêncio, quando a mente consciente fica quieta, a mente subconsciente – onde estão as memórias e sentimentos – pode agir livremente. Nesse estado, a mente superconsciente, altamente sensível, começa a funcionar e traz novas inspirações e ideias. Embora o silêncio pareça ser um estado de “não fazer nada”, na verdade muita coisa acontece, pois todas as coisas surgem do silêncio.

Ainda segundo Catherine Ponder, a oração do silêncio é especialmente eficaz para aqueles que não percebem mais resultados com outros tipos de oração. No entanto, se você reconhece em si memórias negativas ou bloqueios psicológicos, pode ser útil continuar praticando formas mais conhecidas de oração, como afirmações e negações, antes de avançar para essa experiência mais profunda.

Para praticar a oração do silêncio de forma simplificada, lembre-se de:

  • Permanecer tranquilo e quieto.
  • Agir com autocontrole ao longo do dia.
  • Evitar críticas, condenações e julgamentos.
  • Falar apenas o necessário.
  • Entregar a Deus o que não pode controlar.

Para praticar a oração do silêncio de forma mais formal, reserve um ou mais períodos do dia para seguir estes passos:

  1. Relaxe o corpo e a mente.
  2. Feche os olhos, volte sua atenção para dentro e deixe de lado os pensamentos.
  3. Se necessário, concentre-se na respiração para acalmar a mente.
  4. Permaneça atento, reconhecendo a presença de Deus.
  5. Escute em silêncio até sentir uma sensação de paz, serenidade e bem-estar.
  6. Conclua a oração com palavras de agradecimento.
  7. No início, experimente períodos curtos ao longo do dia, entre 2 e 5 minutos.
  8. Pratique com confiança, as recompensas do silêncio serão gradualmente reveladas a você.

A oração do silêncio pode transformar diversas áreas de nossas vidas.

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O superconsciente é o auxiliador

A mente superconsciente é a ponte entre o intelecto e a sabedoria que flui do Ser. Ela não depende de lógica ou análise racional. Diferente do pensamento comum, ela se manifesta em lampejos intuitivos, soluções inesperadas e uma clareza que não vem do esforço, mas da entrega.

Em momentos difíceis, quando a conversa não avança, buscamos uma ajuda maior. Imagine um impasse em negócios, onde discussões travadas atrapalham os projetos. Ou veja uma reunião familiar, em que debates ferem os sentimentos. Até negociações entre países podem se tornar tensões que só agravam o conflito.

O conhecimento vem do intelecto, dos dados. Mas a sabedoria verdadeira flui do Ser. Ela brota do superconsciente, intuitiva e profunda, sem depender de argumentos racionais.

Podemos abrir espaço para essa energia com práticas simples. A prática da presença nos conecta com uma dimensão mais elevada. A respiração consciente acalma a mente e o coração. A quietude e os momentos de silêncio transformam conflitos em oportunidades de crescimento.

O superconsciente está sempre com você, guiando com amor e respeitando seu livre-arbítrio.

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