Eu e a Vida somos um

Podemos contemplar nossa natureza além das formas como sendo a própria Vida — não a minha vida ou a sua, mas a Vida única.

A vida que é Deus, é nossa vida. Há apenas uma Vida, e esta é a vida de todos os seres, de todos os indivíduos. Nós individualizamos esta vida eterna, e não há menos Deus em alguns seres do que em outros. — Joel Goldsmith

Dessa forma, não podemos separar a Vida daquilo que somos. Percebemos as coisas como separadas quando pensamos, analisamos, conceituamos ou precisamos dar nomes a elas. Essa separação é aparente; não é a realidade definitiva.

Uma prática

Como podemos sentir essa união com tudo o que existe?

Uma prática simples é perceber que nossa respiração — o ar entrando e saindo do corpo — está unida ao cosmos. O ar que respiramos está dentro e fora de nós, unindo os mundos visível e invisível.

Eu e a Vida somos um, e toda a Vida me ama e me apoia. — Louise Hay

Um abraço!

Humildes de espírito — parte 2

Em um artigo anterior sobre esse tema, trouxemos novas perspectivas sobre o significado da expressão humildes de espírito, encontrada na Bíblia. Há uma passagem semelhante, em que Jesus Cristo diz:

Bem-aventurados são vocês, os pobres, porque o Reino de Deus é de vocês.

Agora vamos conhecer uma interpretação dessa mensagem que considera a visão de mundo da época de Jesus e também seu idioma nativo: o aramaico.

No livro A Mensagem Viva de Jesus, o autor e professor Neil Douglas-Klotz explica que a passagem poderia ser interpretada da seguinte forma:

Maduros estais quando compreendeis que não há nada a que se agarrar. Então a visão e a força da Realidade podem começar a se apoderar de vós.

A mensagem de Yeshua — Jesus aramaico — fala sobre os limites que criamos para nós mesmos quando nos agarramos à personalidade, às ideias e às opiniões. Quando fazemos uma limpeza interior, abrimos espaço para que a alma irradie luz em nossas vidas por meio do nosso coração.

O professor sugere a seguinte reflexão:

Talvez a vida esteja lhe dizendo para provar o tônico de Yeshua, que pode inicialmente parecer veneno para seu senso de quem você pensa que é. Você consegue acreditar que se parar um momento, ou um dia, sua ruha-alma irá lhe dar novas forças? Que “o mundo não irá acabar?” Talvez seja necessário praticar um pouco para conseguir não pensar tanto em si mesmo, a menos que você já esteja vivendo em um estado de amor, devoção e gratidão. Esses são os melhores estimulantes que encontrei.

Aproveite para ler também o artigo Jesus aramaico.

Até breve!

Há equilíbrio entre o que sinto e faço?

O caminho que estamos seguindo está realmente alinhado com aquilo que sentimos no coração?

Há uma palavra em aramaico, khenuta, usada com frequência por Jesus Cristo para lembrar seus seguidores de que, se houver fome e sede suficientes, poderão encontrar um mundo onde há equilíbrio entre a honestidade interior e a justiça exterior.

Perguntas para refletir:

  • O que enche meu coração de força e propósito, embora possa me tirar da zona de conforto?
  • Há discrepância entre o que desejo em meu coração e o que está acontecendo em minha vida?
  • No que já não acredito mais? O que não é mais válido para mim?

O alinhamento entre o que sentimos e fazemos se torna possível quando reavaliamos o que é verdadeiro agora. Assim, abrimos espaço para que a alma nos guie, e o cosmos crie uma nova realidade através de nós.

Para acompanhar esta reflexão, uma música inspirada neste tema faz parte do álbum Aramaico Wave, disponível em Amazon Music, Apple Music, Spotify e YouTube Music.

Se preferir, assista ao vídeo da música no YouTube.

Até breve!

A respiração e o poder do cosmos

Ao estudar os povos antigos e sua sabedoria ancestral, descobrimos que a prática espiritual pode ser tão simples quanto uma respiração consciente.

Em seu tempo, Jesus Cristo ensinava que o estado mais feliz que podemos viver é estar em união com Deus, neste momento. Ele nos convidava a considerar cada respiração como uma passagem para uma sensação maior de poder — o Eu Posso — quando renunciamos à ideia de um “eu” separado da Fonte. Assim, nos unimos ao amor, à energia vital e à luz do cosmos.

Descubra o Eu Posso: perceba o poder da vida respirando em você.

Para acompanhar esta reflexão, uma música inspirada neste tema faz parte do álbum Aramaico Wave, disponível em Amazon Music, Apple Music, Spotify e YouTube Music.

Se preferir, assista ao vídeo da música no YouTube.

Até breve!

O que acontece na transformação espiritual

Neste artigo vamos falar sobre alguns dos principais aspectos da transformação espiritual que ocorre em nós.

A presença divina

Em algum momento de nossa jornada terrena há um despertar de amor no coração e começamos a reconhecer a presença divina. Conforme nos habituamos a perceber que o divino é a presença em tudo — inclusive no que chamamos de “eu”, nosso corpo físico, mental e emocional —, uma mudança começa a acontecer na forma como percebemos a realidade.

Amor próprio e passado emocional

Acolhemos com amor o “eu” e suas partes — vozes e reações — que são resultado do passado emocional. Alguns exemplos de vozes comuns que podem surgir como narrativas mentais são: “Não sou bom o bastante”, “Tenho medo”, “Não sou valorizado”, “Fui abandonado (ou injustiçado, humilhado, rejeitado, traído)”. Culpa, condenações e julgamentos também são efeitos do passado que podem nos afetar no presente. Trazemos essas memórias para a luz divina, sem lutar contra elas.

O mundo reflete o que há em mim

Algumas dessas vozes internas não acolhidas podem aparecer externamente na forma de pessoas próximas — “vizinhos” — ou como situações que se repetem em nossa vida. Cabe a mim reconhecê-las, aceitá-las e acolhê-las.

Confiança espiritual

Percebemos que estamos conscientes apenas de uma pequena parte do que está acontecendo conosco. A divindade sabe de tudo — onisciência. Aprendemos a confiar e a relaxar enquanto energias do passado são transmutadas.

Esquecimento e rigidez

Precisamos lembrar de nossa humanidade e da ligação que temos com o divino e com a natureza. Também precisamos suavizar aquilo que nos torna rígidos. Dessa forma evoluímos e liberamos o poder do cosmos presente dentro de nós.

Práticas espirituais

É comum buscarmos algum tipo de prática espiritual quando nos conscientizamos de que estamos passando por uma transformação profunda. Podemos ser inspirados nessas práticas por uma religião, filosofia ou comunidade espiritual. Qualquer que seja a prática escolhida, é sempre nossa alma indicando o caminho a seguir.

Comunidade

Participar de algum tipo de comunidade espiritual é muito importante. É uma forma de aprender, compartilhar experiências e se inspirar. Esse é um dos propósitos deste blog.

Um abraço!

Coração — a porta para a alma

Podemos compreender a alma como a presença divina em nós. Quando estamos conscientes dela, vivenciamos um estado de união sagrada com tudo o que existe. Vamos refletir mais sobre essa ideia.

Joel Goldsmith, autor de Praticando a Presença, explica que o coração é o símbolo do amor e que nele repousa a presença espiritual — o Cristo interior. Cabe a nós nutrir essa união com a dimensão espiritual que aguarda nosso reconhecimento. Sinta essa presença suave e permita que ela cuide de você.

No livro Ensinamentos Espirituais, um discípulo pergunta ao mestre indiano Ramana Maharshi sobre o coração como sede da consciência — o Eu superior — localizado no corpo físico, no tórax, dois dedos à direita. Em sua resposta, o sábio explica que o Coração é o âmago do ser, o centro da experiência espiritual. Embora não se limite ao órgão muscular conhecido, o Coração é a consciência pura que tudo inclui — nada está fora ou separado dela.

Neil Douglas-Klotz, autor de A Mensagem Viva de Jesus, afirma que o coração é a porta para a alma. Ele explica que a oração original de Jesus, em aramaico, nos leva a considerar o “coração que sente” — o lugar que os místicos de todas as tradições chamam de templo interior.

Abrindo a porta

Você pode experimentar uma prática simples. Em um momento de tranquilidade, coloque a atenção na região do coração e sinta sua respiração. Permaneça com essa consciência corporal em silêncio. Pratique por alguns dias e observe os efeitos. Se desejar, compartilhe sua experiência conosco aqui no blog.

Um abraço!

Suavizando a rigidez

Hoje vamos refletir sobre a importância de suavizar aquilo que nos torna rígidos e inflexíveis. Essa rigidez pode nos afastar do que desejamos manifestar em nossa experiência.

A rigidez funciona como uma máscara. Geralmente é resultado de uma ferida emocional. Reagimos condicionados pelo passado, tentando nos proteger do que acreditamos que pode nos atingir ou prejudicar. No entanto, como já sabemos, certas reações acabam gerando arrependimento quando não percebemos a influência de emoções antigas.

Quando me torno consciente dessa rigidez condicionada, posso mudar minha forma de reagir. Posso agir com clareza, em vez de apenas reagir. Assim, o ciclo de uma reação após a outra começa a se quebrar.

Respire e permita que a rigidez se suavize

Nossa respiração está unida à respiração de todo o cosmos. Ao levar a atenção para a própria respiração na região do coração, algo sutil acontece. Abrimos espaço para que o brilho espiritual irradie, influenciando a maneira como pensamos, sentimos e agimos. Assim, já não ficamos identificados com um pequeno e rígido “eu”.

Dessa forma, podemos oferecer a melhor resposta ou fazer o que é adequado em determinada situação. Às vezes, somos convidados a permanecer em silêncio e assistir o universo prover aquilo que é necessário para o momento. Tudo isso é um reflexo do estado de consciência em que nos encontramos agora.

Que seu caminho seja sempre iluminado!

Jesus aramaico

Há algum tempo descobri o trabalho de Neil Douglas-Klotz, acadêmico nas áreas que interligam estudos religiosos e psicologia. Há mais de quarenta anos, o escritor e músico pesquisa línguas semíticas antigas (aramaico, árabe, hebraico, etc.) e o significado dos ditos de Jesus Cristo, levando em conta seu idioma nativo — o aramaico.

Por meio dessa literatura, aprendemos que os ensinamentos de Yeshua — como Jesus era chamado em seu tempo — conectam corpo, mente e espírito de forma transformadora. Essa abordagem explora outros aspectos da vida de Jesus, além daqueles que conhecemos pela Bíblia. Com orações corporais, contemplação e práticas de respiração, a mensagem do mestre é acolhida no coração.

O aramaico

A língua aramaica se baseia em verbos, e não em substantivos. Ela aponta para processos, e não para sujeitos fixos. Tudo está acontecendo.

A distinção espacial também é diferente. Palavras como “dentro” podem indicar “entre” ou “ao redor”. Além disso, o que chamamos de corpo, mente e espírito está interligado à natureza e aos mundos invisíveis. Uma única palavra pode ser compreendida em vários níveis de significado.

Em aramaico, a palavra ruha pode significar “sopro”, “espírito”, “ar”, “vento”, “respiração” ou a própria “alma” — isto é, a parte de nós que está sempre ligada ao Grande Sopro, à fonte da vida. — Neil Douglas-Klotz

A mensagem viva

No livro A Mensagem Viva de Jesus (título original: The Aramaic Jesus Book of Days), Douglas-Klotz apresenta uma nova compreensão da mensagem de Yeshua aplicada ao dia a dia. São quarenta capítulos para serem vivenciados em quarenta dias de transformação interior.

Por exemplo, o que foi traduzido em Mateus 6:10 como:

Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu

poderia ser compreendido originalmente como:

Que o Sopro da vida suscite uma nova manifestação de coragem-desejo em mim e por meu intermédio, unindo céu e terra, em todos os momentos e aqui e agora na minha vida — Neil Douglas-Klotz

Temos também a bem-aventurança que, em Mateus 5:5, foi traduzida como:

Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra

que pode ser interpretada assim:

Sintonizados com a Fonte e felizes em maturidade são os que suavizam conscientemente o que é muito rígido neles. Eles recebem sua herança natural de força e cura da dádiva de fazer parte do mundo da natureza, de estar encarnados no tempo e no espaço — Neil Douglas-Klotz

Para saber mais, consulte:

Até breve!