Ego: a boneca de sal

O ego é uma parte da mente que parece ter vida própria. Quando estamos interagindo com outras pessoas – e quando elas interagem conosco –, estamos, quase sempre, lidando com o ego. Por isso, é importante conhecer melhor essa parte da mente humana, muitas vezes responsável pelo sofrimento que nos aflige.

Lise Bourbeau, autora do livro Escute seu Corpo, define o ego da seguinte forma:

Às vezes chamado de “pequeno eu”, o ego é o EU que julgamos ser. Ele se forma a partir da nossa energia mental, isto é, de nossas memórias e principalmente de nossas crenças. Na realidade, o ego é a soma de todas as nossas crenças mentais, sejam elas benéficas para nós ou não.

O ego resiste ao fluxo da vida

Estamos em conflito com o que está acontecendo agora?

O ego também é chamado de mente não observada, pois raramente percebemos sua atuação. Uma forma de reconhecê-lo é observar nossas reações. Se estamos resistindo ao momento presente, isso pode ser um sinal da influência do ego.

O ego se apoia em dramas para garantir sua existência. Ele é o resultado de uma história: uma identidade criada pela mente com base em interpretações do passado, que podem ou não ser coerentes. Quanto mais nos identificamos com as narrativas mentais, mais o ego se fortalece. Seja representando o papel de alguém melhor que os outros ou o papel de vítima, o ego está sempre tentando reforçar sua importância.

A boneca de sal se dissolve

O ego é apenas uma identidade ilusória. Na filosofia espiritual do Oriente, ele é comparado a uma boneca de sal que, em sua busca pela compreensão de si, se dissolve no oceano da consciência universal — o Ser.

O ego só existe enquanto a consciência está identificada com a forma. Por meio da auto-observação e de práticas espirituais, percebemos que não somos, em essência, um corpo, um nome ou uma história — somos aquela dimensão que está consciente de tudo isso.

Essa é a jornada espiritual: a busca pela verdade que dissolve a boneca de sal e revela nossa verdadeira natureza, além da forma.

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A experiência em um mosteiro

Em 2022, fiquei hospedado por cinco dias no Mosteiro da Transfiguração, em Mogi das Cruzes – SP, uma comunidade enraizada na tradição espiritual beneditina e camaldolense da Itália.

Foi uma experiência profunda de silêncio junto à natureza, onde conheci um pouco da rotina monástica.

Em um ambiente fraterno, participei das orações e refeições, além de colaborar com pequenas tarefas de manutenção do mosteiro.

Um monge desempenha inúmeras atividades, mas sempre dentro de uma atmosfera de comunhão espiritual.

Passar alguns dias em um lugar como esse nos conduz à contemplação e ao silêncio interior, permitindo um aprofundamento na dimensão espiritual que transcende as formas.

Também tive a oportunidade de participar de um período de oração com monges e monjas no Mosteiro da Encarnação, que fica próximo ao Mosteiro da Transfiguração.

Sou grato pela oportunidade e pelo carinho dos monges e monjas que me acolheram.

Para saber mais sobre os mosteiros, acesse:

Site do Mosteiro da Transfiguração (monges)

Site do Mosteiro da Encarnação (monjas)

Como as reações influenciam nossa vida

Há 2.500 anos, o sábio Buda ensinou que, sempre que reagimos, deixamos marcas na mente que podem influenciar nosso comportamento futuro.

O marimbondo na mente

Imagine o exemplo de uma pessoa que leva uma picada de marimbondo. A dor que ela sente deixa uma marca não apenas no corpo, mas sua reação também deixa uma marca na mente. Da próxima vez que notar o inseto por perto, poderá sentir medo e reagir sob a influência do passado.

As doenças psicossomáticas

As marcas deixadas na mente podem afetar o bem-estar do corpo e levar ao surgimento das chamadas doenças psicossomáticas. Geralmente, observamos mais o corpo e o mundo externo do que a própria mente. Com isso, nem sempre percebemos padrões mentais e emocionais negativos que podem estar causando ou agravando uma doença.

Como ensinava o professor de meditação S.N. Goenka:

Muitas doenças psicossomáticas desaparecem naturalmente quando as tensões mentais são dissolvidas. Se a mente está agitada, propicia o desenvolvimento de doenças físicas. Quando a mente adquire calma e pureza, as doenças desaparecem automaticamente.

Auto-observação e cura

Ao observar nosso próprio mundo interior, de pensamentos e sentimentos, começamos a compreender por que reagimos como reagimos. Além disso, quando nos dedicamos a práticas espirituais como meditação, oração, presença e quietude, permitimos que nosso corpo físico se cure como reflexo da cura mental.

Podemos começar observando:

  • Qual é o nosso estado interior?
  • Quais são nossas reações habituais ao longo do dia?

Ao fazer isso, iniciamos o processo de libertação do sofrimento causado por nossas próprias reações inconscientes.

A oração do silêncio

A oração só pode fazer por você o que ela pode primeiro fazer através dos seus pensamentos e sentimentos. A oração eficaz trabalha de dentro para fora. — Catherine Ponder

Como ensina Catherine Ponder, pastora e autora de As Leis Dinâmicas da Oração, a oração é poderosa porque ativa leis superiores da mente e do espírito. Ao orar, você libera uma força espiritual capaz de romper barreiras mentais que causam confusão ou estagnação. Pensamentos bloqueados e emoções negativas são dissolvidos, permitindo que uma energia mais elevada flua dentro e ao redor de você.

Entre os diversos tipos de oração, destaca-se a oração do silêncio. Nessa prática, você simplesmente aquieta a mente, relaxa o corpo e entra em comunhão com a dimensão espiritual.

A pastora descreve como o silêncio transforma a mente:

No silêncio, quando a mente consciente fica quieta, a mente subconsciente – onde estão as memórias e sentimentos – pode agir livremente. Nesse estado, a mente superconsciente, altamente sensível, começa a funcionar e traz novas inspirações e ideias. Embora o silêncio pareça ser um estado de “não fazer nada”, na verdade muita coisa acontece, pois todas as coisas surgem do silêncio.

Ainda segundo Catherine Ponder, a oração do silêncio é especialmente eficaz para aqueles que não percebem mais resultados com outros tipos de oração. No entanto, se você reconhece em si memórias negativas ou bloqueios psicológicos, pode ser útil continuar praticando formas mais conhecidas de oração, como afirmações e negações, antes de avançar para essa experiência mais profunda.

Para praticar a oração do silêncio de forma simplificada, lembre-se de:

  • Permanecer tranquilo e quieto.
  • Agir com autocontrole ao longo do dia.
  • Evitar críticas, condenações e julgamentos.
  • Falar apenas o necessário.
  • Entregar a Deus o que não pode controlar.

Para praticar a oração do silêncio de forma mais formal, reserve um ou mais períodos do dia para seguir estes passos:

  1. Relaxe o corpo e a mente.
  2. Feche os olhos, volte sua atenção para dentro e deixe de lado os pensamentos.
  3. Se necessário, concentre-se na respiração para acalmar a mente.
  4. Permaneça atento, reconhecendo a presença de Deus.
  5. Escute em silêncio até sentir uma sensação de paz, serenidade e bem-estar.
  6. Conclua a oração com palavras de agradecimento.
  7. No início, experimente períodos curtos ao longo do dia, entre 2 e 5 minutos.
  8. Pratique com confiança, as recompensas do silêncio serão gradualmente reveladas a você.

A oração do silêncio pode transformar diversas áreas de nossas vidas.

Até breve!

O superconsciente é o auxiliador

A mente superconsciente é a ponte entre o intelecto e a sabedoria que flui do Ser. Ela não depende de lógica ou análise racional. Diferente do pensamento comum, ela se manifesta em lampejos intuitivos, soluções inesperadas e uma clareza que não vem do esforço, mas da entrega.

Em momentos difíceis, quando a conversa não avança, buscamos uma ajuda maior. Imagine um impasse em negócios, onde discussões travadas atrapalham os projetos. Ou veja uma reunião familiar, em que debates ferem os sentimentos. Até negociações entre países podem se tornar tensões que só agravam o conflito.

O conhecimento vem do intelecto, dos dados. Mas a sabedoria verdadeira flui do Ser. Ela brota do superconsciente, intuitiva e profunda, sem depender de argumentos racionais.

Podemos abrir espaço para essa energia com práticas simples. A prática da presença nos conecta com uma dimensão mais elevada. A respiração consciente acalma a mente e o coração. A quietude e os momentos de silêncio transformam conflitos em oportunidades de crescimento.

O superconsciente está sempre com você, guiando com amor e respeitando seu livre-arbítrio.

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A experiência em um curso de meditação Vipassana

Alguns anos atrás, participei de um curso de meditação Vipassana no centro Dhamma Sarana, em Santana do Parnaíba, São Paulo. Neste artigo, compartilho minha experiência.

A técnica

Vipassana é uma das mais antigas técnicas de meditação da Índia, e seu nome significa “ver as coisas como elas realmente são”. Trata-se de um processo de autopurificação por meio da auto-observação, que ajuda a alcançar as metas espirituais mais elevadas: libertação total e pleno despertar.

Embora não seja uma prática voltada para curar enfermidades físicas, muitos distúrbios psicossomáticos desaparecem como consequência da purificação mental. Apesar de ter sido desenvolvida por Buda, a técnica é universal e não se limita a budistas.

O curso

Para participar, é necessário se inscrever online e aguardar a aprovação, pois as vagas são limitadas. O curso começa com orientações dos servidores e o preenchimento de um termo de responsabilidade. Os participantes entregam seus celulares e outros pertences antes de seguir para os quartos, onde passam os próximos 10 dias em nobre silêncio – ou seja, sem comunicação por gestos, palavras ou escrita, exceto com o professor, se necessário.

O dia começa às 4h, com o sino chamando todos para acordar, e vai até às 22h, quando as luzes são apagadas. A rotina diária inclui cerca de 10 horas de meditação, além de palestras, orientações do professor, refeições e momentos de repouso.

Além da técnica Vipassana, os participantes aprendem Anapana (consciência da respiração) e Metta (amor altruísta e boa vontade).

No meio da natureza

O centro Dhamma Sarana está rodeado pela natureza, o que torna comum a presença de animais e insetos. Um dos preceitos do curso é não tirar a vida de nenhum ser, então cada quarto tem um kit para resgatar insetos. Assim, você aprende a salvar uma aranha ou besouro que aparece, evitando que sejam pisoteados.

Homens e mulheres ficam em áreas separadas, reunindo-se apenas na sala de meditação em horários definidos. Na turma em que participei, havia cerca de 80 alunos no total.

Os quartos comportam duas ou três camas de solteiro, dependendo da instalação. Apesar do isolamento, a infraestrutura é completa, incluindo banheiros com água quente.

Alimentação e vestuário

As refeições são vegetarianas, exceto em casos de restrições médicas. Os pratos são pensados para facilitar a digestão e ajudar no processo de meditação. O lanche da tarde consiste apenas em frutas.

No meio do curso, percebi que não sentia tanta fome e passei a fazer apenas o almoço como refeição principal.

Os organizadores pedem que os participantes usem roupas simples, confortáveis e discretas. É ideal levar roupas suficientes para todos os dias do curso, mas há tanques e varais disponíveis para lavar peças pequenas, se necessário.

Experiência única

Para mim, o maior desafio foi físico: senti dores nas costas por passar tanto tempo na posição de meditação. Para outros, o desafio foi mental. Muitos desistem entre o quarto e o quinto dia, já que ficar sozinho com a própria mente sem smartphone ou conversas é mais difícil do que parece.

No último dia, é permitido conversar, para facilitar o retorno à vida cotidiana. É um momento de grande alegria, considerado uma vitória para quem superou as dificuldades do corpo e da mente.

Participar desse curso foi uma experiência única. Além de aprender a meditar em completo isolamento, vivi momentos memoráveis, como contemplar o belo entardecer em silêncio absoluto e ouvir o som das cigarras ao redor do centro.

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A presença dos bichinhos

Você tem um bichinho de estimação? Já notou como se sente ao cuidar ou brincar com ele?

Na correria do dia a dia, com a atenção dividida entre tantos estímulos, os animais nos ajudam a estar mais presentes. Quando interagimos com eles, seja cuidando ou brincando, nossa atenção se volta para o agora. Isso traz alívio, acalma a mente e, muitas vezes, interrompe o fluxo contínuo de pensamentos, permitindo o relaxamento.

Cuidar de um bichinho pode dar trabalho, mas também traz benefícios, especialmente para quem se sente sozinho, passa por momentos difíceis ou tem uma rotina desgastante. Nessas situações, os animais ajudam a manter a presença e favorecem a restauração da saúde mental.

A simplicidade do relacionamento com os bichinhos nos ajuda a perceber a vida além das narrativas da mente. A dimensão espiritual, sempre presente, se expressa nos animais, e percebemos isso com uma consciência livre de identificações.

Até breve!

O corpo de dor

Este é um resumo sobre o que é o corpo de dor e como lidar com ele.

Chamamos de corpo de dor as memórias negativas do passado armazenadas na mente como energia latente. Quando ativadas, podem ressurgir como emoções e reações sutis ou intensas, causando sofrimento e arrependimento.

O corpo de dor e a saúde

Um corpo de dor denso pode causar altos e baixos emocionais, levando ao esgotamento físico e mental sem que a pessoa perceba.

Observe o corpo de dor sem reagir

Ao perceber uma sensação desagradável no corpo, concentre-se na respiração para se ancorar no momento presente.

O corpo de dor tenta absorver toda a atenção, gerando pensamentos e narrativas mentais que alimentam o sofrimento. Mantenha o foco na respiração.

Quando estiver com a atenção plenamente no agora, livre das narrativas, comece a observar as sensações no corpo e permita que se dissolvam naturalmente, sem expectativas.

Dessa forma, a luz da consciência assegura sua liberdade das emoções negativas e do passado.

Lembre-se: não somos o corpo de dor, e sim o Ser que está consciente dele.