Renovar a mente e prosperar

Ao estudar práticas mentais e espirituais, encontramos explicações sobre as influências que as lembranças do passado têm no presente e sobre como lidar com elas.

Por exemplo, a meditação Vipassana, ensinada por Buda, mostra que nossas reações são condicionadas por impressões na mente, formadas ao longo do tempo. Essas impressões podem ser dissolvidas por meio da prática da auto-observação. Ao fazer isso, transformamos a mente e deixamos de reagir como antes.

O método havaiano de resolução de problemas — Ho’oponopono — ensina que os desafios que enfrentamos são causados pela repetição de memórias registradas na mente subconsciente, e que essas memórias podem ser purificadas. Durante esse processo, é necessário confiar na Divindade. Assim, permitimos que o universo mostre o que é melhor para nós, sem forçar situações que podem se voltar contra nós mais tarde.

E repetir afirmações pode ajudar? Sim. Declarações positivas influenciam o subconsciente e ajudam a transformar padrões negativos do passado ali alojados.

Você também pode optar por praticar a presença e evitar a renovação energética do passado emocional. Ao mesmo tempo, a consciência do momento presente desfaz a ideia de separação e reconhece nossa natureza espiritual além das formas — o Ser.

Existem outras ferramentas e práticas para lidar com as memórias do passado e renovar a mente. O mais importante é dar os primeiros passos, buscar autoconhecimento e iniciar a prática que faz mais sentido para cada um. Isso nos leva a expandir e prosperar em todos os níveis.

Até o próximo artigo!

A experiência em um curso de meditação Vipassana

Alguns anos atrás, participei de um curso de meditação Vipassana no centro Dhamma Sarana, em Santana do Parnaíba, São Paulo. Neste artigo, compartilho minha experiência.

A técnica

Vipassana é uma das mais antigas técnicas de meditação da Índia, e seu nome significa “ver as coisas como elas realmente são”. Trata-se de um processo de autopurificação por meio da auto-observação, que ajuda a alcançar as metas espirituais mais elevadas: libertação total e pleno despertar.

Embora não seja uma prática voltada para curar enfermidades físicas, muitos distúrbios psicossomáticos desaparecem como consequência da purificação mental. Apesar de ter sido desenvolvida por Buda, a técnica é universal e não se limita a budistas.

O curso

Para participar, é necessário se inscrever online e aguardar a aprovação, pois as vagas são limitadas. O curso começa com orientações dos servidores e o preenchimento de um termo de responsabilidade. Os participantes entregam seus celulares e outros pertences antes de seguir para os quartos, onde passam os próximos 10 dias em nobre silêncio – ou seja, sem comunicação por gestos, palavras ou escrita, exceto com o professor, se necessário.

O dia começa às 4h, com o sino chamando todos para acordar, e vai até às 22h, quando as luzes são apagadas. A rotina diária inclui cerca de 10 horas de meditação, além de palestras, orientações do professor, refeições e momentos de repouso.

Além da técnica Vipassana, os participantes aprendem Anapana (consciência da respiração) e Metta (amor altruísta e boa vontade).

No meio da natureza

O centro Dhamma Sarana está rodeado pela natureza, o que torna comum a presença de animais e insetos. Um dos preceitos do curso é não tirar a vida de nenhum ser, então cada quarto tem um kit para resgatar insetos. Assim, você aprende a salvar uma aranha ou besouro que aparece, evitando que sejam pisoteados.

Homens e mulheres ficam em áreas separadas, reunindo-se apenas na sala de meditação em horários definidos. Na turma em que participei, havia cerca de 80 alunos no total.

Os quartos comportam duas ou três camas de solteiro, dependendo da instalação. Apesar do isolamento, a infraestrutura é completa, incluindo banheiros com água quente.

Alimentação e vestuário

As refeições são vegetarianas, exceto em casos de restrições médicas. Os pratos são pensados para facilitar a digestão e ajudar no processo de meditação. O lanche da tarde consiste apenas em frutas.

No meio do curso, percebi que não sentia tanta fome e passei a fazer apenas o almoço como refeição principal.

Os organizadores pedem que os participantes usem roupas simples, confortáveis e discretas. É ideal levar roupas suficientes para todos os dias do curso, mas há tanques e varais disponíveis para lavar peças pequenas, se necessário.

Experiência única

Para mim, o maior desafio foi físico: senti dores nas costas por passar tanto tempo na posição de meditação. Para outros, o desafio foi mental. Muitos desistem entre o quarto e o quinto dia, já que ficar sozinho com a própria mente sem smartphone ou conversas é mais difícil do que parece.

No último dia, é permitido conversar, para facilitar o retorno à vida cotidiana. É um momento de grande alegria, considerado uma vitória para quem superou as dificuldades do corpo e da mente.

Participar desse curso foi uma experiência única. Além de aprender a meditar em completo isolamento, vivi momentos memoráveis, como contemplar o belo entardecer em silêncio absoluto e ouvir o som das cigarras ao redor do centro.

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Qual seu estado interior?

Para viver em harmonia, é fundamental cultivar estados emocionais fortalecedores que nos apoiem na direção desejada.

Mas como podemos garantir que permanecemos nesses estados ao longo do dia?

O primeiro passo é desenvolver a consciência sobre como estamos nos sentindo em cada momento. Isso começa com a atenção ao que acontece em nosso corpo, que oferece sinais claros sobre o que se passa em nossa mente.

Por exemplo, uma respiração superficial e irregular pode indicar ansiedade. Já um desconforto na região do estômago pode ser sinal de nervosismo.

No livro Meditação Vipassana, o professor S.N. Goenka explica a conexão entre corpo e mente:

Cada pensamento, cada emoção, cada ação mental é acompanhada por uma sensação correspondente dentro do corpo. Por essa razão, ao observar as sensações físicas, observamos também a mente. As sensações são indispensáveis para que se possa explorar a verdade mais profunda. Seja o que for que encontremos no mundo, provocará sempre uma sensação dentro do corpo. A sensação é a encruzilhada onde a mente e o corpo se encontram.

Muitas vezes, não temos consciência da causa dessas sensações. No entanto, isso não nos impede de utilizá-las como sinais para reconhecer nosso estado emocional atual e, assim, promover mudanças internas que nos fortaleçam.

Para perceber esses sinais, é necessário estar presente, ou seja, manter a atenção no momento presente.

Eckhart Tolle, em seu livro Um Novo Mundo: O Despertar de Uma Nova Consciência, menciona um estado negativo comum que frequentemente ignoramos por parecer habitual:

Você costuma ter uma sensação de descontentamento que poderia ser descrita como uma espécie de ressentimento em segundo plano? Ela pode ser específica ou não. Muitas pessoas passam uma grande parte da vida nesse estado. Elas se identificam tanto com ele que não conseguem se afastar e detectá-lo. O que sustenta essa sensação são certas crenças que mantemos de modo inconsciente, determinados pensamentos.

Desenvolver a consciência do estado interior é um hábito que pode ser cultivado por meio da prática da presença e respiração consciente.

Até o próxima artigo!

A respiração

Fixar a atenção na respiração desenvolve a consciência do momento presente. — S.N. Goenka

Respiração e espiritualidade

A respiração não é apenas uma função biológica. Práticas como ioga e meditação a utilizam como fundamento essencial no desenvolvimento espiritual.

Como ensinava o professor de meditação S.N. Goenka, pioneiro na popularização da meditação Vipassana:

No momento em que a mente esteja totalmente focalizada na respiração, estará livre de avidez, livre de aversão e livre de ignorância. Por mais breve que seja esse momento de pureza, é muito poderoso, porque desafia todos os condicionamentos do passado.

Eckhart Tolle, autor do best-seller Um Novo Mundo – O despertar de uma nova consciência, explica que tornar-se consciente da respiração nos ancora no presente e interrompe a atividade mental, ajudando a silenciar os pensamentos.

No idioma aramaico, assim como no hebraico, a mesma palavra — ruha no aramaico e ruach no hebraico — é usada para expressar espírito, vento, ar e respiração, como explica Neil Douglas-Klotz, autor do livro The Hidden Gospel (O Evangelho Oculto). Assim, a respiração é um elo fundamental com Deus.

Benefícios da respiração consciente

Uma respiração suave e profunda estimula o sistema nervoso parassimpático. Hormônios calmantes fluem pelo corpo. Eles acalmam emoções, sentimentos e pensamentos negativos, e você passa a respirar um pouco mais devagar e profundamente. Você começa a relaxar. — Danny Penman

O Dr. Danny Penman, autor do livro A Arte de Respirar, destaca que a respiração, naturalmente meditativa e sempre presente, é um recurso essencial para suavizar emoções, trazer clareza mental e estabelecer conexão com o momento presente.

E você, está consciente de sua respiração?

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