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Estudos e Contemplação
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Na literatura metafísica, é conhecida a ideia de que libertar alguém — mental e emocionalmente — é uma forma de se libertar também.
Catherine Ponder, pastora e autora de livros sobre prosperidade e cura espiritual, diz que a maioria dos problemas nos relacionamentos humanos se dissolveria se as pessoas praticassem libertar os outros, em vez de tentar moldá-los de acordo com sua própria vontade ou expectativa. Ela explica assim:
Sempre que você se sentir preso a outra pessoa — às suas atitudes, comportamentos ou modo de vida — é porque você a prendeu a si mesmo. Você mesmo possui a chave da sua liberdade. Você gira essa chave quando libera a pessoa, ou a situação que vinha ressentindo ou condenando.
O método havaiano de solucionar problemas — Ho’oponopono — apresenta uma ideia similar. Quando tentamos forçar alguém a ser como queremos, podemos estar criando ou agravando um problema, pois não existe nada “lá fora”. Tudo está acontecendo dentro de nós. Aquilo que percebemos lá fora como um problema é o efeito de uma memória que se reapresenta. Nossa missão é reconhecer, assumir responsabilidade e dar início ao processo de transformação das energias associadas a essas memórias. Joe Vitale, no livro Limite Zero, resume assim:
Basta dizer que sempre que quiser melhorar qualquer coisa na sua vida, desde as finanças até os relacionamentos, você só precisa procurar em um único lugar: dentro de si mesmo.
Quando os ensinamentos de Jesus Cristo são interpretados a partir do aramaico, seu idioma original, descobrimos que, em sua época, havia uma noção diferente sobre o que está dentro e o que está fora de nós. Neil Douglas-Klotz, professor e autor de A Mensagem Viva de Jesus, explica que a comunhão com Deus e a escolha de se libertar do passado podem trazer nosso coração de volta ao seu estado saudável. Ele diz assim:
O ato de soltar pode ocorrer ao longo do tempo ou instantaneamente. Se antes nos unirmos à nossa alma-ruha, poderemos extrair dela todo amor, vida e luz que já são nossos, neste momento, desde que lhes deixemos espaço livre. Então, esse fogo de amor consome todas as cordas e nós desgastados.
Podemos dizer que a libertação envolve basicamente:
Assim, ao libertar o outro dentro de nós, também abrimos espaço para nossa própria libertação.
Vamos praticar?

Como podemos aliviar o peso emocional que carregamos? Sendo gentis conosco!
Levamos em nossa alma as memórias de nossa história. Essas memórias, carregadas de energias do passado, ficam armazenadas na mente subconsciente — o “eu” emocional. A cooperação do subconsciente é essencial no processo de liberação energética. Esse aspecto da mente — às vezes chamado de “criança interior” — representa nossa parte mais sensível. Por isso, é importante sermos gentis conosco.
Seja gentil e paciente com você mesmo enquanto desfaz seus embaraços mentais. Procure ajuda se achar necessário mas, acima de tudo, ame-se a si mesmo durante o processo. A disposição de se libertar do velho é a chave. Esse é o segredo. — Louise Hay
O processo de transmutação das energias do passado começa em nós. Nosso papel é dar início a essa transformação e cura por meio de uma prática espiritual — e então confiar.
Assim, abrimos caminho para que a Divindade em nós purifique as memórias associadas a pessoas, lugares ou coisas. Esse processo promove uma limpeza interior que se estende a todos os que se relacionam conosco.
Deixo com vocês a paz. É a minha paz que eu lhes dou; não lhes dou a paz como o mundo a dá. Não fiquem aflitos, nem tenham medo. — João 14:27
Até breve!

Catherine Ponder, pastora e autora de livros sobre prosperidade e cura, ensina que a “luz branca do Cristo” pode ser invocada em oração e meditação. Essa luz é descrita como um poder protetor e transformador, reconhecido por místicos e santos ao longo dos séculos. Mesmo quando não conseguimos percebê-la visivelmente, podemos decretar sua presença ao redor de pessoas e situações, trazendo cura, paz e soluções inesperadas.
Ela relata exemplos de problemas humanos e relacionamentos difíceis que foram resolvidos quando alguém, em silêncio e fé, visualizou a luz do Cristo envolvendo todas as pessoas da situação. Situações marcadas por anos de conflito, confusão e sentimentos pesados se transformaram em poucas semanas, quando essa luz espiritual foi invocada.
Ponder também mostra que até organizações ameaçadas por atitudes egoístas e dominadoras puderam se libertar quando a luz do Cristo foi afirmada como proteção. Essa prática dissolveu tensões e trouxe alívio coletivo.
A autora recomenda que, em vez de pensar em si mesmo ou nos outros como limitados e presos a condições infelizes, cada pessoa se envolva mentalmente com a luz do Cristo. Afirmações simples como “Haja luz” ou “Sou filho da luz e ando na luz” ajudam a encher a mente e o coração dessa presença espiritual.
A luz do Cristo é capaz de trazer cura, renovar situações e abrir caminhos. Ao preenchermos nossa vida com essa luz, experimentamos o milagre das orações respondidas.
Até o próximo artigo!

Há 2.500 anos, o sábio Buda ensinou que, sempre que reagimos, deixamos marcas na mente que podem influenciar nosso comportamento futuro.
O marimbondo na mente
Imagine o exemplo de uma pessoa que leva uma picada de marimbondo. A dor que ela sente deixa uma marca não apenas no corpo, mas sua reação também deixa uma marca na mente. Da próxima vez que notar o inseto por perto, poderá sentir medo e reagir sob a influência do passado.
As doenças psicossomáticas
As marcas deixadas na mente podem afetar o bem-estar do corpo e levar ao surgimento das chamadas doenças psicossomáticas. Geralmente, observamos mais o corpo e o mundo externo do que a própria mente. Com isso, nem sempre percebemos padrões mentais e emocionais negativos que podem estar causando ou agravando uma doença.
Como ensinava o professor de meditação S.N. Goenka:
Muitas doenças psicossomáticas desaparecem naturalmente quando as tensões mentais são dissolvidas. Se a mente está agitada, propicia o desenvolvimento de doenças físicas. Quando a mente adquire calma e pureza, as doenças desaparecem automaticamente.
Auto-observação e cura
Ao observar nosso próprio mundo interior, de pensamentos e sentimentos, começamos a compreender por que reagimos como reagimos. Além disso, quando nos dedicamos a práticas espirituais como meditação, oração, presença e quietude, permitimos que nosso corpo físico se cure como reflexo da cura mental.
Podemos começar observando:
Ao fazer isso, iniciamos o processo de libertação do sofrimento causado por nossas próprias reações inconscientes.
Alguns anos atrás, participei de um curso de meditação Vipassana no centro Dhamma Sarana, em Santana do Parnaíba, São Paulo. Neste artigo, compartilho minha experiência.
A técnica
Vipassana é uma das mais antigas técnicas de meditação da Índia, e seu nome significa “ver as coisas como elas realmente são”. Trata-se de um processo de autopurificação por meio da auto-observação, que ajuda a alcançar as metas espirituais mais elevadas: libertação total e pleno despertar.
Embora não seja uma prática voltada para curar enfermidades físicas, muitos distúrbios psicossomáticos desaparecem como consequência da purificação mental. Apesar de ter sido desenvolvida por Buda, a técnica é universal e não se limita a budistas.
O curso
Para participar, é necessário se inscrever online e aguardar a aprovação, pois as vagas são limitadas. O curso começa com orientações dos servidores e o preenchimento de um termo de responsabilidade. Os participantes entregam seus celulares e outros pertences antes de seguir para os quartos, onde passam os próximos 10 dias em nobre silêncio – ou seja, sem comunicação por gestos, palavras ou escrita, exceto com o professor, se necessário.
O dia começa às 4h, com o sino chamando todos para acordar, e vai até às 22h, quando as luzes são apagadas. A rotina diária inclui cerca de 10 horas de meditação, além de palestras, orientações do professor, refeições e momentos de repouso.
Além da técnica Vipassana, os participantes aprendem Anapana (consciência da respiração) e Metta (amor altruísta e boa vontade).
No meio da natureza
O centro Dhamma Sarana está rodeado pela natureza, o que torna comum a presença de animais e insetos. Um dos preceitos do curso é não tirar a vida de nenhum ser, então cada quarto tem um kit para resgatar insetos. Assim, você aprende a salvar uma aranha ou besouro que aparece, evitando que sejam pisoteados.
Homens e mulheres ficam em áreas separadas, reunindo-se apenas na sala de meditação em horários definidos. Na turma em que participei, havia cerca de 80 alunos no total.
Os quartos comportam duas ou três camas de solteiro, dependendo da instalação. Apesar do isolamento, a infraestrutura é completa, incluindo banheiros com água quente.
Alimentação e vestuário
As refeições são vegetarianas, exceto em casos de restrições médicas. Os pratos são pensados para facilitar a digestão e ajudar no processo de meditação. O lanche da tarde consiste apenas em frutas.
No meio do curso, percebi que não sentia tanta fome e passei a fazer apenas o almoço como refeição principal.
Os organizadores pedem que os participantes usem roupas simples, confortáveis e discretas. É ideal levar roupas suficientes para todos os dias do curso, mas há tanques e varais disponíveis para lavar peças pequenas, se necessário.
Experiência única
Para mim, o maior desafio foi físico: senti dores nas costas por passar tanto tempo na posição de meditação. Para outros, o desafio foi mental. Muitos desistem entre o quarto e o quinto dia, já que ficar sozinho com a própria mente sem smartphone ou conversas é mais difícil do que parece.
No último dia, é permitido conversar, para facilitar o retorno à vida cotidiana. É um momento de grande alegria, considerado uma vitória para quem superou as dificuldades do corpo e da mente.
Participar desse curso foi uma experiência única. Além de aprender a meditar em completo isolamento, vivi momentos memoráveis, como contemplar o belo entardecer em silêncio absoluto e ouvir o som das cigarras ao redor do centro.
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